Quando aplicamos a fórmula de Cardano ao exemplo histórico chegamos a
.
Embora Cardano tenha dito que sua fórmula geral não se aplicasse nesse caso, por conta do aparecimento de , as raízes quadradas de números negativos não puderam mais ser completamente ignoradas, pois sabia-se, por simples inspeção, que
é uma solução real dessa equação. Mais ainda: as outras duas raízes,
, também são números reais. Restava, então, o desafio de encontrar um modo de aplicar a fórmula de Cardano para encontrar as raízes reais desses casos irredutíveis.
Foi Rafael Bombelli (1526-1572), um engenheiro hidráulico italiano, quem conseguiu encontrar uma forma de resolver a equação aplicando a fórmula de Cardano. Em seu livro L’Algebra, publicado em 1572, ele mostra que a fórmula de Cardano continua válida quando
, desde que consideremos os números complexos e uma álgebra desenvolvida por ele.
Rafael Bombelli
Quando , a fórmula de Cardano expressa
como a soma de duas raízes cúbicas de números complexos. Como um número complexo diferente de zero tem três raízes cúbicas, devemos considerar o par u e v de tal forma que
, para não termos 9 soluções.
Na 2ª parte desse post exploramos um applet que mostrava a aplicação da fórmula de Cardano para determinar as soluções de equações cúbicas. Agora veremos um applet muito similar ao primeiro para tentar responder a seguinte pergunta .
O que podemos dizer das soluções da equação cúbica a partir do seu discriminante?
Na fórmula de Cardano consideremos o discriminante . O seguinte applet estuda as soluções de uma equação cúbica em função do valor do discriminante, isto é, o que ocorre com as soluções quando temos
e
.
Podemos notar que:
– nesse caso a equação tem um raiz real e duas raízes complexas conjugadas.
– nesse caso a equação tem três raízes reais distintas.
– três raízes reais, sendo que pelo menos uma delas é repetida.
Compare esse resultado com o que acontece com o discriminante da solução da equação quadrática.